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Os cinco estágios da moeda

Lorenzo Frazzon, CNPI
Escrito por Lorenzo Frazzon, CNPI em 16 de fevereiro de 2020
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Evolução da moeda

É possível dividir a evolução da moeda em cinco estágios:  1º) Pré-economia monetária ou escambo, 2º) Moeda mercadoria, 3º) Moeda simbólica, 4º) Moeda escritural, e 5º) Moeda sofisticada.

Escambo

O primeiro estágio é conhecido como escambo e corresponde à poucas trocas esparsas esporádicas em que as trocas são diretas e a atividade produtiva não está voltada para o mercado, na sociedade medieval apesar da existência de moedas seu uso era raro e a maior parte das trocas era realizado de forma direta (escambo). Os pequenos agricultores produziam para sua própria subsistência e apenas uma pequena parte do cedente era levada até as feiras para trocas.

Contudo à medida que o volume de trocas aumentou, surgiu a necessidade de uma padronização maior e a moeda naturalmente acaba sendo aceita por todos e passa-se então ao próximo estágio.

Moeda mercadoria

O segundo estágio é o da moeda mercadoria. Nesse período as trocas são indiretas, existe uma venda e depois uma compra, o produtor troca seu produto pela moeda mercadoria ou seja vende e depois troca a moeda mercadoria pelo que deseja, portanto compra. Aqui a  grande vantagem que não há mais necessidade da dupla coincidência de desejos, apesar de as trocas serem indiretas existe um ganho de eficiência pois troca-se com o mercado.

A moeda mercadoria utilizada variava de lugar para lugar, em alguns foi utilizado o gado em outros o sal ou ainda conchas. Contudo os metais acabaram sendo utilizados como moeda em função de suas qualidades de homogeneidade, durabilidade, portabilidade e escassez.

Moeda simbólica

O terceiro estágio é o da moeda simbólica. As dificuldades de pesar e avaliar o metal são superadas por meio das moedas cunhadas em que o soberano garante o valor de metal, a maioria das moedas tem a esfinge do soberano cunhada garantido seu valor, o sistema apresenta vantagens sobre o anterior pois as trocas são feitas com mais facilidade. 

Aos poucos os soberanos impõem o uso dessas moedas e as mesmas passam a ser de “uso legal” onde existe a obrigação legal de aceitar a moeda para quitar qualquer tipo de débito, embora alguns soberanos tenham um abusado desse poder, a existência de uma moeda aceita por todos sociedade facilitou a transição para a monetização de quase todas as relações econômicas.

Com a disseminação do uso da moeda desenvolveu-se uma tendência a depositar a moeda em instituições especializadas os bancos, aí chega-se ao próximo estágio.

Moeda escritural

O quarto estágio que é o da moeda escritural. Aqui passam a existir as instituições depositárias que recebiam os depósitos e emitiam os recibos de depósitos, que por sua vez eram negociados como substitutos da moeda física, os recibos aos poucos foram padronizados e surgiram as notas bancárias, as transferências eram feitas por meio de endossos nos recibos ou por meio de avisos aos bancos. Os avisos também foram se padronizando e deram origem ao famoso cheque! Agora todos os pagamentos e recebimentos já eram feitos por débitos e créditos contábeis.

Moeda sofisticada

Com os avanços tecnológicos foi possível transformar a moeda em outros ativos rapidamente e vice-versa, levando a sociedade ao quinto estágio, o da moeda sofisticada.  

A moeda hoje é basicamente um conjunto de registros eletrônicos que representa uma diversidade de ativos, há uma tendência global em evitar saldos monetários ociosos em que a moeda de curso legal é rapidamente transformada em ativos remunerados e vice-versa, embora exista um padrão monetário definido, o gerenciamento eficiente de caixa impõe aplicação em outros ativos.

No entanto nos últimos anos essa lógica vem sendo testada, uma vez que vivemos em um mundo onde trilhões de dólares estão “aplicados” em ativos com juros negativos.

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